O blog queria esperar a divulgação da seleção da Copa pela FIFA antes de postar sua própria, para comparar, mas como isso ainda não aconteceu, e para não perder o bonde, aqui vai (no esquema que prevaleceu, o 4-2-31):
GOLEIRO Iker Casillas, Espanha
O arqueiro campeão, um dos melhores do mundo, começou o mundial por baixo, errando logo na estreia contra a Suíça e mostrando alguma insegurança nas partidas iniciais. Isso durou só a primeira fase, quando Casillas sofreu seus únicos dois gols na competição. Foi perfeito no mata-mata, principalmente a partir das quartas, quando pegou pênalti, defendeu bolas difíceis cara-a-cara e cresceu emocionalmente.
LATERAL-DIREITO Philipp Lahm, Alemanha
Mais um capitão no time. Lahm não se intimidou com a recém-assumida braçadeira e mostrou a mesma segurança no flanco direito que havia apresentado em 2006 jogando pela esquerda. Além de apoiar muito bem o fulminante ataque alemão, transpirou segurança na defesa, com bons desarmes e velocidade para recompor a marcação. Firmou seu lugar como um dos melhores laterais do mundo hoje – em qualquer lado.
ZAGUEIRO Per Mertesacker, Alemanha
O gigantesco beque superou as atuações cambaleantes da Copa passada para tornar-se uma fortaleza na área da Alemanha. A altura já o torna um bom defensor pelo alto, mas, na África do Sul, apresentou um jogo de qualidade também pelo chão, com antecipações precisas. Em boa parceria com Friedrich, segurou as pontas na retaguarda germânica para deixar seus colegas ofensivos à vontade.
ZAGUEIRO Antolín Alcaraz, Paraguai
Único jogador do time do blog que não esteve nas semifinais. Alcaraz era um completo desconhecido antes da Copa, internacionalmente falando, mas subiu no conceito de todos os analistas. Mostrou-se esplêndido na bola aérea (tanto que marcou um gol assim) e igualmente bom no combate pelo solo. A defesa paraguaia foi um dos grandes destaques do mundial, e Alcaraz contribuiu inestimavelmente para isso.
LATERAL-ESQUERDO Jorge Fucile, Uruguai
A posição mais em baixa do futebol mundial hoje. Pensei até em acomodar Lahm por aqui e escolher outro destro, mas Fucile realmente me convenceu. E sequer começou a Copa como titular: ganhou a vaga na segunda partida, quando o técnico Oscar Tabárez mudou para uma linha de quatro na defesa. E o ala mostrou uma consistência impressionante. Combativo e incansável como todo o resto da retaguarda celeste, Fucile ainda mostrou versatilidade ao jogar na direita na decisão de terceiro lugar. Sua garra em campo representa, na seleção do blog, toda a defesa do Uruguai, que muito agradou.
VOLANTE Bastian Schweinsteiger, Alemanha
Aqui não há discussão. Schweinsteiger foi um dos melhores da Copa em qualquer sentido. Descobriu-se como volante nesta temporada, no Bayern, e não podia ter sido achado melhor. Regeu a Alemanha tanto nos momentos de defender quanto nos de atacar. Nos primeiros, prestava combate aos armadores adversários. Nos segundos, oferecia seu primoroso passe e seus avanços-surpresa. Certamente a solidez e as blitzes alemãs não seriam as mesmas sem sua presença no meio-campo.
VOLANTE Andrés Iniesta, Espanha
Iniesta não é bem volante, claro, mas foi preciso torcer alguns conceitos para acomodar aqui os vários jogadores ofensivos talentosos que brilharam nesta Copa. E Iniesta foi um deles, principalmente durante o mata-mata. Sua presença na Copa era até uma incógnita, devido a lesões que sofreu no ano, e ele nem participou da estreia. Mas se recuperou a tempo de ser, provavelmente, o jogador mais importante do time espanhol a partir das oitavas-de-final. É difícil até definir onde ele jogava, pois aparecia por todas as partes do campo. Além de ser um grande armador e apoiador, mostrou eficiência na marcação pelos lados do campo. Foi por seu lado que Lahm não conseguiu jogar na semifinal.
MEIA Thomas Müller, Alemanha
Eleito, com toda justiça, a revelação da Copa, Müller foi mais do que isso. Foi um dos artilheiros – o mais jovem jogador da história a conseguir isso -, um dos melhores jogadores e inestimável para a Alemanha. Sua falta foi agudamente sentida na semifinal, quando o time não pôde contar com sua velocidade, suas disparadas do lado do campo para o meio e sua participação crucial na área. Sem falar na sua categoria como passador, que resultou em três assistências – também marca máxima no mundial. E pensar que há um ano Müller era um moleque recém-saído das categorias de base do Bayern.
MEIA Wesley Sneijder, Holanda
É um testemunho do tipo de jogo que a Holanda apresentou na Copa o fato de apenas um jogador seu aparecer nesta seleção. Mas, na estratégia muito mais tática do que talentosa da Oranje, Sneijder se sobressaiu. Não tinha como ser diferente: seu talento foi o que impulsionou o time vice-campeão para frente. Sua participação começava no início das jogadas, quando voltava até antes da linha de meio-campo para buscar a bola. Dali ditava todo o resto das ações. Um lançamento preciso de trinta metros? Podia ser. Criar espaço para companheiros com passes? Também fazia. Chamar a responsabilidade e conduzir sozinho? Checado. A inspiração de Sneijder destoou do jogo burocrático dos holandeses.
MEIA David Villa, Espanha
Meia? Sim. Villa teve seus melhores momentos jogando pela esquerda da linha de armadores da Fúria, com espaço para avançar para cima da defesa adversária. Foi assim que se tornou o jogador fundamental para ressucitar a Espanha da depressão pós-derrota para a Suíça, com gols em todos os jogos desde a segunda rodada até as quartas-de-final. Com a falta de produtividade de Torres teve que jogar de centroavante, e rendeu menos, mas procurou dar um jeito. Fosse voltando para participar das trocas de passe, fosse encarando a zaga com sua habilidade, o camisa 7 estava sempre presente, sem nunca se esconder do jogo.
ATACANTE Diego Forlán, Uruguai
Escolhido o craque da Copa. Precisa dizer mais? Não, mas seria injusto deixar de mencionar que Forlán foi a alma do Uruguai. Na primeira partida, quando o time todo foi mal, ele brilhou, tentando de todas as formas concebíveis criar chances. Caiu sobre ele a responsabilidade de ser o armador a partir da segunda rodada, e a mudança foi para melhor: com um meio-campo armado para deixá-lo jogar, Forlán deitou e rolou, orquestrando a impressionante campanha uruguaia. Mesmo dando mostras de cansaço nos jogos finais, nunca abaixou a cabeça. E quem vai esquecer seus brilhantes arremates de fora da área, que geraram belos gols?
Por fim, uma equipe de suplentes: Neuer (ALE); Sergio Ramos (ESP), Friedrich (ALE), Lúcio (BRA), Capdevila (ESP); Arévalo Ríos (URU), Boateng (GAN); Messi (ARG), Özil (ALE), Kuyt (HOL); Suárez (URU)